Sem sentido
barulho sentido
ouvido
Sem sentido
Explodido
Veio para divertir
Veio e desveio
Veio para levar o silêncio
E trouxe uma discussão apática
Sem sentido
explodiu explode
explodindo sorrindo
antipática
Quebrou os vidros que nos isolavam
levantou o tapete e mostrou um chão mal limpo
domingo, abril 01, 2007
quarta-feira, março 28, 2007
Absolutamente.
"A visita de menos de 24 horas de [George W.] Bush trouxe a São Paulo um esquema de segurança jamais visto no país e deixou paulistanos indignados. Sem saber que caminhos evitar, motoristas eram surpreendidos por interdições de avenidas inteiras." - Folha Cotidiano, 10 de Março de 2007.
Após checar o relógio e calcular, concluí que o tempo não só é um conceito inválido quando se está na velocidade da luz, mas também inexiste quando o deslocamento dentro de um período de tempo é desprezível. O último caso foi o meu.
"Mais uma cerveja, senhor?"
"Você é um anjo, garçom. Mas mesmo parado tenho que dirigir."
"Faz um tempão que não vejo um trânsito assim..."
"Foi uma idéia brilhante servir o pessoal preso."
"Esse Bush..." Ele estava se contendo para não se gabar.
"Eu não gosto dele. Nunca pedi para que viesse. Por que São Paulo?! Por que sessenta carros de escolta?!"
"Vixi!... é paranóia. Faz o que quer e espera que o mundo concorde..."
"Ele foi eleito na base da paranóia, né?"
"Esses americanos morrem de medo do mundo... falando nisso, quer jogar uma partida de King?"
"Oh, não. A patroa me mata se descobrir."
Uma avenida só para o Bush. Por causa de uma série de besteiras dele, fiquei preso no pior engarrafamento possível. E por que raios protestos têm que afetar pessoas não-envolvidas?!
Para refrescar o ambiente, alguém fez o favor de pôr funk carioca (ou rap, que seja) no último volume, assim concebendo um baile funk no meio do asfalto. Apoiados nos carros, moças e rapazes se esfregavam maliciosamente (alguns veículos sacolejavam, bem me lembro), acompanhados do Bonde do Tigrão e a Orquestra Paulistana de Buzinas ao fundo.
"Passa o relógio!" estava tão irado com o trânsito que nem quis discutir.
"Aqui. Pegue e roube." Melhor não saber o tempo. Mesmo porque não existia.
"Pensando bem, me dá uma carona?"
"Hm..."
"O ônibus não anda e tenho medo de ir a pé." Irônico. Medo de ser roubado. Caso extraordinário.
"Entre. Andando é mais rápido, você sabe."
Talvez notasse algo de nobre e tocante nesta atitude se não estivesse tão estressado com aquela ocasião especial que, no fundo, é meu cotidiano. A pressão aumentou, com o garoto. Precisava escapar, matar o Bush e o Lula e chegar em casa. E levar o menino.
"Vai demorar um pouco... pode ir ao baile, não sairei daqui."
Voltou mais tarde com uma moça e um sorriso sincero. Assim que fechou a porta, o trânsito, meio milagrosamente, fluiu. Deixei-o acompanhado em casa e em menos de duas horas "Lar, Doce Lar" nunca soara tão maravilhosamente.
"Querida! O Bush, o trânsito!"
"Eu sei, amor... é um absurdo. Que cheiro é esse?! Você andou bebendo?!"
"Havia, ahn, garçons..."
"E essa saia?!" Eu devia ter notado. O moleque se dera bem. Não compartilhou sua sorte comigo, uma pena.
"Trânsito, hein?!" Sabia que o sofá seria um leito razoável e que o divórcio era, na cabeça da minha mulher, a melhor solução.
Pelo menos o tempo voltou.
Após checar o relógio e calcular, concluí que o tempo não só é um conceito inválido quando se está na velocidade da luz, mas também inexiste quando o deslocamento dentro de um período de tempo é desprezível. O último caso foi o meu.
"Mais uma cerveja, senhor?"
"Você é um anjo, garçom. Mas mesmo parado tenho que dirigir."
"Faz um tempão que não vejo um trânsito assim..."
"Foi uma idéia brilhante servir o pessoal preso."
"Esse Bush..." Ele estava se contendo para não se gabar.
"Eu não gosto dele. Nunca pedi para que viesse. Por que São Paulo?! Por que sessenta carros de escolta?!"
"Vixi!... é paranóia. Faz o que quer e espera que o mundo concorde..."
"Ele foi eleito na base da paranóia, né?"
"Esses americanos morrem de medo do mundo... falando nisso, quer jogar uma partida de King?"
"Oh, não. A patroa me mata se descobrir."
Uma avenida só para o Bush. Por causa de uma série de besteiras dele, fiquei preso no pior engarrafamento possível. E por que raios protestos têm que afetar pessoas não-envolvidas?!
Para refrescar o ambiente, alguém fez o favor de pôr funk carioca (ou rap, que seja) no último volume, assim concebendo um baile funk no meio do asfalto. Apoiados nos carros, moças e rapazes se esfregavam maliciosamente (alguns veículos sacolejavam, bem me lembro), acompanhados do Bonde do Tigrão e a Orquestra Paulistana de Buzinas ao fundo.
"Passa o relógio!" estava tão irado com o trânsito que nem quis discutir.
"Aqui. Pegue e roube." Melhor não saber o tempo. Mesmo porque não existia.
"Pensando bem, me dá uma carona?"
"Hm..."
"O ônibus não anda e tenho medo de ir a pé." Irônico. Medo de ser roubado. Caso extraordinário.
"Entre. Andando é mais rápido, você sabe."
Talvez notasse algo de nobre e tocante nesta atitude se não estivesse tão estressado com aquela ocasião especial que, no fundo, é meu cotidiano. A pressão aumentou, com o garoto. Precisava escapar, matar o Bush e o Lula e chegar em casa. E levar o menino.
"Vai demorar um pouco... pode ir ao baile, não sairei daqui."
Voltou mais tarde com uma moça e um sorriso sincero. Assim que fechou a porta, o trânsito, meio milagrosamente, fluiu. Deixei-o acompanhado em casa e em menos de duas horas "Lar, Doce Lar" nunca soara tão maravilhosamente.
"Querida! O Bush, o trânsito!"
"Eu sei, amor... é um absurdo. Que cheiro é esse?! Você andou bebendo?!"
"Havia, ahn, garçons..."
"E essa saia?!" Eu devia ter notado. O moleque se dera bem. Não compartilhou sua sorte comigo, uma pena.
"Trânsito, hein?!" Sabia que o sofá seria um leito razoável e que o divórcio era, na cabeça da minha mulher, a melhor solução.
Pelo menos o tempo voltou.
domingo, janeiro 14, 2007
(Soneto meio-bobo sobre) O olho maior do que a barriga
Ele tinha o olho maior do que a barriga
queria tudo tudo, e mais e mais
queria comer comer, mais do que podia
mais do que cabia. E ficou com desinteria
Tinha o olho maior do que a barriga
queria comer tudo
e acabou comendo a amiga
coitada! virou comida!
Ele tinha olhos grandes grandes
maiores que lombriga
e foi engordando...
mas nao pode ter tudo
nao dava, nao cabia
e acabou ficando sem nada. Porcaria!
queria tudo tudo, e mais e mais
queria comer comer, mais do que podia
mais do que cabia. E ficou com desinteria
Tinha o olho maior do que a barriga
queria comer tudo
e acabou comendo a amiga
coitada! virou comida!
Ele tinha olhos grandes grandes
maiores que lombriga
e foi engordando...
mas nao pode ter tudo
nao dava, nao cabia
e acabou ficando sem nada. Porcaria!
segunda-feira, novembro 13, 2006
Olhar de outros olhos
Em que pensam aqueles olhos;
Pra onde olham aqueles olhos
Que transbordam um mistério
Tão puro e tão real?
Qual a beleza que aqueles olhos contemplam;
Qual a direção de que os olhos se alimentam
De um verde intenso e colorido
Ecoando risos eufóricos de inocência.
Carregam no colo, um filho
Fruto de dois olhares;
Futuro olhar tão profundo.
E os pequenos olhos deitados no colo,
Embora muito cheios de outros olhares,
Agora olham somente a vida nos seios da mãe.
Pra onde olham aqueles olhos
Que transbordam um mistério
Tão puro e tão real?
Qual a beleza que aqueles olhos contemplam;
Qual a direção de que os olhos se alimentam
De um verde intenso e colorido
Ecoando risos eufóricos de inocência.
Carregam no colo, um filho
Fruto de dois olhares;
Futuro olhar tão profundo.
E os pequenos olhos deitados no colo,
Embora muito cheios de outros olhares,
Agora olham somente a vida nos seios da mãe.
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